terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Para onde se volta meu olhar?

Há sempre momentos na vida em que nos sentimos frágeis: numa enfermidade, quando há uma dificuldade aparentemente sem solução, quando estamos sobrecarregados pelo cansaço ou abatidos pela tristeza. Nessas horas, nos vemos incapazes de prosseguir com nossas próprias forças. O mesmo ocorre diante do pecado e de fortes tentações: a sensação é de que, sozinhos, não conseguiremos lutar.
De fato, se voltamos nossos olhos para nossa própria condição, nos veremos frágeis e limitados. A inclinação será para desistir, deixar-se abater pela falta de vontade, pela melancolia, ou deixar-se levar pelo pecado. É por isso que nossos olhos precisam estar direcionados ao céu. Cito uma música da cantora Whitney Houston:
I look to You, I look to You
After all my strengh is gone
In You I can be strong 
(Eu olho para Você, eu olho para Você
Depois que toda minha força se foi
Em Você eu posso ser forte)
Sim, somos fracos. Mas São Paulo nos ensinou que, é nessa fraqueza que está a nossa força. Porque quando nos reconhecemos fracos, compreendemos que nossa força vem do alto, vem de Deus. Por isso olhar para céu, e não para baixo.
Com "olhar para o céu", quero dizer ter o pensamento em Deus. Precisamos ter nele a nossa referência, o nosso norte. Com que forças lutar contra o pecado? Com a graça que vem dele. Como saber que rumo tomar nesse momento que vivo? Conhecendo a Sua Palavra. Por que realizar bem o meu trabalho quando há tanto descaso e desonestidade? Porque ele me santifica, e é meu meio de santificar outras pessoas.Como vencer o desânimo, a apatia, a tristeza? Qual é a razão para prosseguir, mesmo na dificuldade? Saber que minha vida tem um sentido, e que não surgi neste mundo por acaso. Que sou amado por Deus, e por Ele fortalecido, principalmente através dos sacramentos. Que tenho algo a realizar nesta vida, e que há um porquê de confiar na eternidade depois da morte. 
Milhares de anos antes, dizia também o salmista: 
"Eu levanto os meus olhos para os montes: de onde pode vir o meu socorro?
Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!" (Sl 120, 1-2) 
Saibamos também nós que só dele pode vir nosso "socorro". Podemos pensar esse socorro em seu sentido literal, mas também estender a interpretação dessa palavra a tudo aquilo de que necessitamos. Tenhamos os pés firmes no chão, mas os olhos voltados para o alto. Não nos fixemos na baixeza de nossas limitações e de nossas dificuldades. Peçamos especialmente a Maria, aquela que soube ter os olhos fixos em Deus, que nos ajude a ter nele a nossa força. Também ela se sabia "humilde serva", mas reconheceu que, pela ação de Deus, nela se realizaram maravilhas.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sorri

Sorri (versão de Djavan para "Smile", de Charles Chaplin)
Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri, vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor que és feliz.

Essa música, aparentemente tão triste, tem uma valiosa lição: sorrir, mesmo quando nada parece ir bem conosco. À primeira vista pode soar como fingimento tolo, ou fuga da realidade. Mas não é disso que falo. Refiro-me à capacidade de superação que há em todos nós, alimentada pela esperança e pela confiança em Deus. 
Diz o Salmo 55: "Do meu exílio registrastes cada passo, em vosso odre recolhestes cada lágrima, e anotastes tudo isso em vosso livro" (Sl 55,9). Pois bem, Deus conhece as nossas dores. Ele mesmo as sentiu, ao se encarnar e assumir as nossas fraquezas. Mas Jesus, que é todo homem como nós, foi capaz de, no momento de seu sofrimento, abandonar a autocompaixão e olhar para os que a Ele recorriam: as mulheres chorosas de Jerusalém, o ladrão arrependido, Sua Mãe e o discípulo amado. Somos capazes do mesmo? De sorrir em meio à dor e ainda levar consolo aos outros que também sofrem? Basta perceber que a queixa, a lamúria, de nada resolvem. Pelo contrário, nos tornam homens e mulheres cada vez mais tristes e amargos, incapazes de ver as necessidades de outras pessoas ao nosso redor; por sua vez, a esperança nos dá forças para lutar diante das dificuldades. Ela é a característica daqueles que amam a Deus, e buscam, mesmo no sofrimento, viver com alegria e entusiasmo: "Transformastes o meu pranto em uma festa, meus farrapos, em adornos de alegria, para minh'alma vos louvar ao som da harpa e ao invés de se calar, agradecer-vos" (Sl 29,12-13).
Sorrir é dar ao mundo a luz de que precisa, é mostrar que nada falta a um coração que se deixou preencher pelo amor de Cristo. Não sejamos egoístas, descarregando nos outros a nossa lamentação e autopiedade. Não me refiro negativamente à partilha fraterna, que é muito edificante, mas sim ao costume que muitas vezes temos de desfiar nosso "rosário" de lamúrias cada vez que alguém nos pergunta como estamos. Deus sabe do que sentimos e do que precisamos... E, quando a cruz for por demais pesada, abandonar-se nos braços do Bom Deus. É Ele mesmo quem nos oferece abrigo no seu coração, donde podemos recolher o vigor e a esperança: "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas" (Mt 11,28-29). 
Que Maria, que se mostrou a Santa Teresinha como a "Virgem do Sorriso", nos ensine a trazer no rosto o sorriso de filhos que se sabem muito amados, e a contagiar os outros com a luz e a alegria que recebemos de Deus.






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