sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Mais uma vez a TV...

Estava hoje perto da TV quando ouvi uma chamada do jornal da noite que me despertou a atenção. Tenho a certeza de ter escutado: “Deputada desvia dinheiro público para evento católico no Rio de Janeiro”. Parei o que estava fazendo e sentei pra assistir. Logo deu pra perceber como era tendenciosa a reportagem. Ao falar do suposto “desvio” de dinheiro público, o repórter se referia à proposta da Alerj de uma emenda que autorizasse a destinação de verba para a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro em 2013. Gente, que revolta! Sem explicar muito o que é o evento – “um encontro do papa com jovens católicos”, só – os apresentadores do jornal foram narrando a matéria como se tratasse da denúncia de um crime político-religioso. Mostraram trechos em destaque do texto da emenda e fotos da parlamentar que a propôs; a identificação da mesma consistiu em “a parlamentar X é membro da Renovação Carismática” – o que será isso? Uma seita? Um partido? Nada muito comprometido com a verdade e o esclarecimento dos fatos. Em seguida, dois transeuntes foram abordados em alguma das ruas do Rio (suponho) e fizeram críticas ao evento. O mais engraçado (ou triste) é que eles não pareciam estar respondendo a nenhuma pergunta específica da repórter que os abordou. Não deviam sequer saber o que era a JMJ. Pela forma como se pronunciaram, a motivação da declaração de ambos deve ter sido algo do tipo: “Pode falar uma coisa para o jornal da emissora Y? Haverá um evento católico no Rio, virá muita gente, vai ficar tudo muito cheio, ônibus lotado, etc. O que você acha disso?” Sim, porque as pessoas entrevistadas pronunciaram-se com frases como: “Vai ser um caos, muita gente” e “Teremos engarrafamento”. Pergunto o que isso tem a ver com a questão da emenda! O personagem seguinte da manchete foi um teólogo – de onde? Formado em que universidade? Pertencente a qual denominação religiosa? Este falou dispersamente sobre os malefícios da união entre Igreja e Estado – hein? – e sobre os estragos que o financiamento de eventos religiosos pelo governo poderia causar. Por último, um parlamentar que votou contra a emenda, usando os mesmos argumentos. Mas, esperem, se é uma emenda da Alerj, ninguém votou a favor? Por que só foi entrevistado o parlamentar que votou contra? Agora, minha última pergunta: e o Pan, a Copa, as Olimpíadas? Também não têm como palco a cidade do Rio? Também não movimentaram dinheiro público? E, em contrapartida, assim como a Jornada, não foram também eventos de promoção cultural, integração com outros países e geração de renda? (Não pratico nenhum esporte e meu dinheiro foi “desviado” para esses eventos; devo protestar?) O final da reportagem me deixou ainda mais triste. Segundo os apresentadores, ao ser procurada para falar sobre o assunto, a Arquidiocese do Rio teria dito que quem responde pela JMJ 2013 é a comissão organizadora; esta, por sua vez, disse que a emenda foi ideia da deputada, que deveria então responder por isso; a deputada, supostamente procurada, não se pronunciou. Temos duas possibilidades: ou o jornal mentiu/ omitiu informações, uma vez que a emissora é ligada a certa denominação protestante; ou, de fato, ninguém quis esclarecer o assunto!  E aí é de novo o nome da Igreja que vai para o brejo... Não é a Roberta, nem a deputada X; é a Esposa de Cristo que mais uma vez é alvo de ataque da imprensa. Será que alguém, por favor, pode se manifestar? Alguém mais esclarecido que eu sobre o assunto? De resto, cabe rezar e, como me ensinou um amigo, olhar para o papa. Os tempos parecem cada vez mais difíceis para quem quer ser de fato fiel, e creio que as perseguições só tendem a aumentar. Talvez não vivamos o martírio de nossos irmãos que regaram o solo da Igreja com seu sangue, mas vivemos nosso martírio branco diário, quando parecemos lutar contra a sociedade que cada vez mais fecha o cerco sobre nós. Maranatá...

domingo, 27 de novembro de 2011

Arrumando a casa...

Fim de ano é época de dar uma boa faxina em casa para deixá-la preparada para o Natal. É ótima ocasião também para arrumar a nossa "casa interior", e nos preparamos para receber dignamente o Menino Deus que chegará. 
Um bom começo são as "gavetas" da nossa memória: que lembranças desse ano devem ser guardadas para sempre? Quais devem ser jogadas fora, porque só nos provocam sentimentos de rancor? Também é importante organizar os nossos "papéis". Aqueles planos que fizemos, conseguimos realizar? Os bons propósitos estabelecidos, fomos capazes de cumprir?
Uma olhada no "guarda-roupa" da nossa alma nos permitirá grandes descobertas! Algumas vestimentas que nos cairiam muito bem - a humildade, a sinceridade, a paciência, a caridade - podem ter ficado esquecidas lá no fundo, sem nunca serem usadas. Que tal estrear o novo ano com elas? Outros acessórios, é melhor descartar: será que muitas vezes não nos servimos de máscaras, para não revelar quem realmente somos?
Por último, nada melhor que um cheiro de limpeza e uma decoração harmoniosa. Precisamos limpar o coração das impurezas acumuladas - pecados, imperfeições, defeitos não vencidos - e adorná-lo com as melhores virtudes (ou, ao menos, o esforço de cultivá-las). 
Numa casa assim arrumada, com certeza Jesus se sentirá bem acolhido, nessa noite em que não houve para Ele lugar em nenhuma das moradias de Belém. Ainda: que nos habituemos a dar essas "faxinas" sempre que preciso, não só no Natal, para que Ele sempre tenha espaço privilegiado em nossa vida.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Então serás feliz!

É bonito como Jesus sabia aproveitar cada ocasião simples para ensinar algo importante. Acontece que um dia, convidado a uma refeição na casa de um fariseu, usa a oportunidade para falar sobre a lógica da gratuidade que deve mover nossas boas ações (cf. Lc 14,12-14). Ele pede que as façamos exatamente a quem não nos pode retribuir o favor! É bem verdade que costumamos fazer o contrário... Porque é muito mais fácil ser bom com quem é bom conosco, fazer um favor a quem nos agradece, amar a quem nos ama. Difícil é lidar com a ingratidão, o não reconhecimento, a dureza de coração. Disse um sacerdote certa vez: “Fraternidade com quem é amigo é ótimo. Fraternidade com quem nos custa é cristianismo.”
Além disso, pensemos que o não retribuir nem sempre é falta de querer; há pessoas que simplesmente não podem. Afinal, ninguém pode dar aquilo que não tem. Assim como os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, que não têm meios para dar um banquete de agradecimento a quem os convidou primeiro, muitos são os deficientes de amor, os carentes de conhecimento de Deus, os cegos de alma. Não devemos esperar que retribuam nosso amor, mas num esforço heroico, precisamos dar-lhes aquilo que ainda não têm.
E o que ganhamos com isso? Seremos felizes, diz Jesus! Porque teremos um coração que ama livremente, sem esperar angustiado um favor devido, um amor correspondido. E viveremos a esperança de receber a recompensa do Único que pode de fato nos dar tudo, porque possui tudo: o próprio Deus, na eternidade!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"Nas criaturas todas...

somente a Vós buscamos" (Hino das Vésperas da III Sexta-feira) 
Durante os dias em que participamos da Jornada Mundial da Juventude, uma frase perseguiu a mim e alguns amigos em todo lugar a que íamos: "A quem procurais?" (cf. Jo 18,4). 
De fato, sempre buscamos algo que seja suficientemente grande para completar-nos, para saciar a sede de nosso coração. Porém, essa sede é de "infinito", de modo que nada que um dia acabe poderá nos satisfazer plenamente. Que triste é quando fazemos das coisas que passam o sentido de nossa vida! O trabalho, as pessoas, as riquezas, os sentimentos... são importantes, mas não são o que nosso coração realmente precisa!
Diz São Paulo a respeito dos pagãos que buscavam a sabedoria dos homens: "alardeando sabedoria, tornaram-se ignorantes e trocaram a glória do Deus incorruptível por uma figura ou imagem de seres corruptíveis: homens, pássaros, quadrúpedes, répteis. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre." (Rm 1,22-23.25) Trocamos a verdade pela mentira quando colocamos Deus num segundo plano, em favor do que é menos importante; quando veneramos as coisas que, mesmo sendo boas, não são Deus!
Precisamos reconhecer, como o salmista, que "toda perfeição tem seu limite" e que "só a Aliança do Senhor é infinita" (cf. Sl 119,96). Só Ele é imutável, e por isso, é o único que pode saciar nossa sede de infinito, completar nosso coração. Vivamos com os bens que passam como quem não precisa deles. Que eles não sejam nosso fim último, mas nos conduzam ao Bem Maior: os amigos, os trabalhos, os bens materiais, sejam para nós apenas meios de melhor servir e amar ao Senhor. Ainda que disso não tenhamos consciência, nas criaturas todas, é a Deus que buscamos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Jair Bolsonaro e a caricatura dos cristãos

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) tem sido manchete frequente na mídia. Polêmico por suas frases e posicionamentos políticos e morais, ele é caracterizado como racista, homofóbico, retrógrado, defensor da ditadura e outras coisas mais. Bom, não pretendo defendê-lo nesse artigo, não se assustem. O que me incomoda é a forma como ele se tornou a nova figura usada para fazer caricatura dos cristãos. Como?
Bem, quando se vai falar sobre legalização do aborto, quais são os dois estereótipos que os defensores desse crime apresentam? De um lado, a mulher, batalhadora, sofrida, minorizada pela sociedade, vítima de violência sexual, grávida de uma vida que "não deseja"; de outro, um padre (homem, celibatário, pertencente a uma "instituição misógina e inquisidora"...).
A regra do jogo tem funcionado também para a questão da homofobia. É quase uma fórmula de lógica: Jair Bolsonaro é contra o PL 122 / O mesmo deputado é a favor da ditadura e outras coisas mais / Logo, quem é contra o PL 122 é a favor da ditadura, da homofobia, do racismo, etc, etc, etc. Assim, quando o cristão se declara contrário a medidas políticas que agridem a família, a ele são imediatamente associadas todas essas outras opiniões pertencentes às figuras caricatas que a mídia cria.
Conclusão: todos podem ter liberdade de expressão (exceto os católicos); deve-se lutar pela liberdade religiosa (excluindo-se, é claro, os católicos); não se deve difamar a imagem de ninguém, principalmente de figuras religiosamente significativas (ah, sim, mas podem ridicularizar Jesus, Maria, o papa, sem escrúpulo algum de consciência).
Louvado seja Deus! "Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia." (I Jo 3,13)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Onde foram parar?

Ontem voltei para casa no ônibus embalada pela trilha sonora de um funk que eu nunca desejaria ouvir. Não é a primeira vez, e acredito que qualquer um que ande de ônibus já tenha passado por isso. Acontece que na entrada do veículo há um aviso de que é proibido escutar música em seu interior.
Acabo de ouvir a Ana Maria Braga fazer comentários em seu programa acerca de uma jovem entrevistada, que possui 33 piercings, mais uma série de tatuagens pelo corpo e um par de chifres de metal implantados na cabeça. Algumas das palavras da apresentadora foram "bacana", "muito bonita" e "sente-se mais poderosa assim".
Durante essa semana, várias vezes conversei com meus colegas de trabalho sobre o desinteresse, a falta de respeito e as limitações caligráficas dos alunos. Esses são assuntos padrão na sala dos professores.

Meus pais foram bons educadores. Não estudaram psicologia freudiana; não tinham noções de direito civil e familiar; não tinham ensino superior. Mas me ensinaram que algumas músicas são desrespeitosas e denigrem a mulher; que é falta de educação falar quando outra pessoa está falando; que professores e autoridades devem ser respeitados; que estudar era minha única tarefa e, portanto, tirar notas boas não era mais que minha obrigação; que não é bonito marcar e furar meu corpo, ou usar entorpecentes para parecer "bacana" ou ser igual a meus colegas.
Pergunto-me perplexa: onde foram parar certos valores que eu e outros amigos aprendemos quando crianças? Penso que o mundo seria melhor com eles! Se alguém os encontrar, por favor, me avise...

terça-feira, 29 de março de 2011

Nenhum povo recebeu tanto carinho!

Em tempo de não deixar o mês de março sem uma postagem - não faltam ideias, difícil é colocá-las "no papel" - faço minhas as palavras de um salmo que, a meu ver, deve ser a expressão de gratidão de todo aquele que se reconhece amado por Deus, parte de uma humanidade por quem Ele se desdobra em cuidados. E, que conveniente pode parecer falar sobre gratidão pelos cuidados de Deus em tempos "tão difíceis e angustiosos" como estes que vivemos. (João Paulo II, Mens. para o 60º Dia de Oração pelas Vocações)
Quero chamar a atenção para o fato de que, mesmo nas dificuldades da vida particular ou social, Deus não deixa de cuidar de nós. Penso em minha própria experiência, e em todas as vezes que os problemas foram superados com a força da oração. Ou quando, na dúvida e até no desalento, Ele me conduziu na melhor direção a seguir. Quantas vezes escapei ilesa de uma situação de perigo. E mesmo nas dificuldades familiares ou financeiras: nunca faltou o necessário material e nem a força interior para lutar.
Numa escala maior, o Senhor zela dia e noite pela vida humana e por toda a criação. Cada vida que nasce manifesta um cuidado do seu amor renovador, e traz esperança ao homem. Os acontecimentos ruins e as más ações das pessoas não são contraditórios com esse cuidado divino. Pelo contrário, são expressões do seu amor verdadeiro, que não limita a liberdade da humanidade nem da criação como um todo. Ainda assim, Deus tem o poder tirar algum bem de cada mal que permite acontecer. Quando o egoísmo gera miséria, Ele suscita no coração humano a compaixão. Quando as imperfeições da natureza ou as intervenções humanas geram catástrofes, mostra caminhos de ajuda mútua, superação e iniciativas de preservação da natureza.
Basta olhar cada detalhe do mundo que nos cerca e da nossa própria história para perceber que tudo canta os louvores desse Deus! De fato, "quem pode comparar-se ao nosso Deus"? Embora tenha "no alto céu... o seu trono", Ele "se inclina para olhar o céu e a terra". Não somente isso, Ele age no mundo, e por meio de nossos braços e nosso coração, "levanta da poeira o indigente" e "do lixo... retira o pobrezinho". (cf. Sl 112, 5-7) Só de sabermos que Aquele que não precisa de nós "perde seu tempo" pensando em nós, já podemos nos considerar grandes privilegiados!

O que digo, na verdade, é uma centelha, diante da grandeza dessa realidade. Talvez possa voltar a falar sobre isso adiante (como tantas vezes retomei o tema do sofrimento). Mas, por ora, convido a rezar o Salmo 147, que inspirou este post:
Glorifica o Senhor, Jerusalém!
Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!
Pois reforçou com segurança as tuas portas,
e os teus filhos em teu seio abençoou;
a paz em teus limites garantiu
e te dá como alimento a flor do trigo.
Ele envia suas ordens para a terra,
e a palavra que ele diz corre veloz;
ele faz cair a neve como lã 
e espalha a geada como cinza.
Como de pão lança as migalhas do granizo,
a seu frio as águas ficam congeladas.
Ele envia sua palavra e as derrete,
sopra o vento e de novo as águas correm.
Anuncia a Jacó sua palavra,
seus preceitos e suas leis a Israel.
Nenhum povo recebeu tanto carinho,
a nenhum outro revelou os seus preceitos. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sofrimento, paciência e santidade (continuação)

Chego ao terceiro e último ponto da reflexão. Para que não fique solto, recordo a frase que serviu de base para este post e os anteriores (aqui e aqui):
"Todos nós padecemos suficientemente para sermos santos, se o soubermos fazer corajosamente e por motivos sobrenaturais." 
Eis então mais um fator que dará sentido ao sofrimento: ter uma visão sobrenatural de nossa vida. No Evangelho de hoje, Jesus tentava ensinar aos discípulos algo sobre o comportamento e a prática da religião. Falando por meio de parábolas, orientava-os a tomarem cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes, isto é, a hipocrisia e a depravação. Mas o coração endurecido deles não conseguiu compreender o sentido espiritual daquilo que o Mestre dizia; pensaram que estava falando sobre a falta de pão...
Creio que, na maioria das vezes, olhamos para nossa vida e nossa história assim. Só enxergamos a parte superficial das coisas. E por isso não compreendemos os sofrimentos e as dificuldades.
Só com uma visão profunda, sobrenatural, conseguimos suportar e superar melhor as adversidades, pois percebemos que há um motivo pelo qual Deus permite o sofrimento, mesmo que não o saibamos imediatamente.
O sofrer por si só parece-nos sem sentido. Sofrer por motivos sobrenaturais nos une a Cristo, completando em nossa carne seu Calvário. (cf. Cl 1,24)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tempo de amadurecer os frutos

(publicado no site do Centro Vocacional)
A vocação não é como os jogos da internet em que se planta a semente num dia e noutro a árvore já está crescida. A compreensão do chamado de Deus acontece paulatinamente, e precisa ser regada e adubada: oração, Eucaristia, confissão, piedade mariana…
(ler mais sobre isso...)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sofrimento, paciência e santidade (continuação)

Passo então ao segundo ponto do trecho destacado:
b) se o soubermos fazer corajosamente - O sofrimento só levará à santidade se for vivido corajosamente, isto é: se não procurarmos a todo tempo escapar a ele, mas, pelo contrário, o recebermos confiando que Deus que o permite nos dará forças para suportá-lo. Há uma música que diz "Pra que tanto medo de sofrer? A semente morre pra nascer..." (ver letra completa e vídeo)
É certo que não se ama o sofrimento. Mas, se é preciso passar por ele, façamo-lo com coragem, a coragem dos fracos, que sabem que é em Deus que está sua força.
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