quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando nos caluniarem

"Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." (Mt 5,11s)
Acabo de ler um e-mail sobre a indignação causada por determinada pergunta que tiveram que responder os candidatos de um concurso na área da saúde no Rio. A resposta correta à pergunta, segundo o gabarito, associava a Igreja à vulnerabilidade a doenças sexualmente transmissíveis.
Sabemos que este ato não é isolado. Embora desde o princípio os cristãos tenham sofrido algum tipo de perseguição (seja explícito ou velado), parece que recentemente uma onda anticatólica tem varrido a mídia, as autoridades e até a cultura. Qualquer pequena faísca é motivo para desencadear um incêndio de críticas e ataques à Igreja, isso quando esta não é vítima de calúnias ou das consequências funestas de informações dadas pela metade.
Jesus já o profetizou: aquele que quer segui-lo, deve carregar a cruz com Ele. Viver a bem-aventurança de com o Senhor ser caluniado, cuspido e crucificado. Parece forte, mas é verdade!
Nossos primeiros irmãos morreram queimados, torturados ou devorados por feras. Outros bravamente lutaram para manter firme a Igreja em tempos de desvirtuamento de seus pastores. E Ele espera que, como estes santos que permaneceram fiéis até o fim, quando o mal se lançava contra a Igreja - de fora ou de dentro -, nós também sejamos fiéis.
No Evangelho de São Mateus, Jesus continua o discurso das bem-aventuranças dizendo que precisamos ser "sal da terra" e "luz do mundo" (cf. Mt 5, 13s). No momento da perseguição e das injúrias é que devemos ser aqueles que brilham na escuridão do mundo tomado pelo pecado, e que dão a ele o sabor perdido do amor de Deus. Sejamos os novos santos que o Senhor espera.

(para ler sobre a pergunta no concurso, ver:http://http//www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1006704&tit=Catolicos-reclamam-de-preconceito-em-concurso)

terça-feira, 4 de maio de 2010

"(...) Que quer dizer 'cativar'?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa 'criar laços'. (...) A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos." (O Pequeno Príncipe)

Cativar, criar laços, ter amigos: eis coisas tão esquecidas e tão importantes! Talvez por ser um exercício que, além de tempo, exige aprendizado, amadurecimento. Primeiramente, aprender a amar, para então receber amor; preocupar-se com o outro, lembrar-se. Então, deixar-se conhecer, e buscar conhecer o outro.


Será preciso também dar espaço: não ser egoísta, e compreender que tempo e certa distância podem ser salutares.


Aos poucos, percebemos que amigos são diferentes; possuem características e opiniões que não são as nossas. Mas crescemos com tais diferenças (mesmo que às vezes se brigue um pouco). Aprendemos a superar nossas próprias limitações e ajudamos o outro a vencer as suas.


A amizade ganha sentido mais pleno quando conduz a Deus, e isso só é possível quando ela tem no mandamento de Jesus seu princípio: "Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros." (Jo 13,34) Imitar o amor do Senhor por nós... como é difícil! Mas é esse, creio, o modo mais perfeito de cativar: olhar com os olhos de Jesus, e perceber a riqueza que existe no outro; doar-se, sem esperar resposta. Dessa forma seremos verdadeiros amigos.
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