segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sobre construções e insensatez

Houve um homem insensato que começou uma construção sem calcular os gastos e não foi capaz de concluí-la. Isso lhe causou uma grande vergonha, pois quem passava e via a obra comentava sua insensatez. Mas esse homem era só um personagem. De uma história alegórica que o Homem Perfeito contou certa vez.
Houve, porém, um homem insensato na vida real. Na verdade, há muitos deles. E a obra mal calculada podem ser os sentimentos e os sonhos de alguém, o que é muito triste. Pois esse homem insensato se empolgou com um projeto muito grande. E não calculou que uma obra grande e importante dá trabalho de fazer: supõe gastos grandes e alguns cortes igualmente grandes. Ele não calculou também a delicadeza do material com o qual estava construindo. Começou com grande entusiasmo. Fez bastante propaganda de sua obra. E quem passava, comentava dizendo como era grande e bonita a construção que ele fazia.
Bom, mas um dia ele viu que não era capaz de dar conta da obra. Os gastos e as renúncias que supunha eram muitos, demais pra ele. E ele não teve a grandeza de coração e a virtude de reconhecer isso. Manteve a propaganda, a faixa vermelha na entrada, e ia fazendo a obra com material menos nobre. Até que não teve jeito. Não dava mais pra continuar. E, mais uma vez, em vez de reconhecer sua fraqueza, ele teve uma ideia mais perversa: decidiu demolir a construção de uma vez. Exclamou: “Não deu certo esta aqui. Farei uma melhor!”

Estes homens insensatos continuam por aí. Que bom que o Homem Perfeito, aquele que contou a história, sabe fazer os palácios mais belos do que restou das construções demolidas por insensatos. Ele conhece bem o material e é muito habilidoso, pois sempre “fez bem todas as coisas”. E se Ele cuida da obra daí por diante, ela será perfeita, como Ele quiser.

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