domingo, 24 de novembro de 2013

Nós nos gloriamos na cruz 3

Hoje a Igreja celebra, encerrando o ano litúrgico, a solenidade de Cristo Rei do Universo. Por esta festividade, queremos recordar que Jesus é o verdadeiro Rei, Nome sobre todo nome, Senhor de nossas vidas e de tudo que existe. 
E qual é o trecho do Evangelho sobre o qual somos convidados a meditar na Missa? A cena da crucifixão! (Lc 23, 35-43) Parece um paradoxo... Celebrar a grandeza de Cristo por meio de uma cena de aparente fracasso total: "aquele que é pendurado é um objeto de maldição divina" (Dt 21,23). O que isso significa pra nós, então? 
A própria Escritura nos ajuda a lançar luz sobre esse mistério: "Cristo remiu-nos da maldição... fazendo-se por nós maldição", afirma São Paulo (Gl 3, 13). E a carta aos Hebreus o completa: "Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens... mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus. (...) assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém em razão do pecado, mas para trazer a salvação àqueles que o esperam." (Hb 9, 24.28) Tamanho foi o abismo instalado pelo pecado entre Deus e o homem, que somente o sacrifício perfeito poderia expiá-lo e nos reconciliar com nosso Criador. Não seria o sacrifício de animais, oferecido diariamente, que poderia refazer a aliança rompida; este era apenas imagem do verdadeiro sacrifício que viria a manifestar-se no tempo determinado por Deus.E o que seria o sacrifício perfeito? Nada menos do que o sacrifício de Si mesmo realizado pelo próprio Deus. 
Deste modo, a morte ignominiosa de Jesus na cruz, exatamente por seu caráter de entrega absoluta, de consumação total da Vítima perfeita - que é Deus encarnado - realiza aquilo que ninguém mais poderia realizar, a nossa Salvação! O aparente fracasso é, na verdade, a maior vitória! É na cruz que Cristo reina!
Mas não somente na cruz. É Jesus quem revela: "O meu Reino não é deste mundo" (Jo 18, 36). A ressurreição manifesta de modo definitivo o reinado de Jesus, pois Ele está acima até mesmo da morte. E prefigura o Reino que há de vir, quando Ele retornar em sua glória.
Ao declarar que seu reino não é deste mundo, Cristo esclarece que sua missão não consistia em derrubar um governo temporal injusto e instalar outro. Seu reinado transcende o tempo, pois Ele é Deus. Por isso o aclamamos Rei do Universo, de um reino eterno. Sobretudo, o entronizamos como Rei de nossas vidas, de nossas almas e corações. É aí que Ele deseja reinar, e foi para isso que Ele derramou todo seu sangue: para nos ter de volta para Si e fazer-nos participantes de seu Reino definitivo.
Ao celebrarmos a solenidade de hoje, renovemos em nós o desejo de que somente Cristo reine em nossas vidas, e de alcançarmos um dia esse Reino de felicidade verdadeira com Ele.

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