domingo, 12 de maio de 2013

O que eu espero ver em um padre

Em resposta às declarações recentes do senhor Roberto Francisco Daniel na mídia.
Gostaria de dizer que o senhor é, de fato, um homem do século XXI. Suas ideias estão bem alinhadas com o pensamento dominante na sociedade brasileira atual, no que diz respeito a amor, sexualidade e moral. Elas acompanham o fluxo ideológico do mundo. Na verdade, poderia obter opiniões semelhantes às do senhor ouvindo um dos muitos outros teóricos existentes na atualidade.
Porém, devo dizer que o senhor não é um padre.
Acontece que um padre do século XXI é aquele que nada contra a maré. Quando olho para um sacerdote, espero ver nele a coragem de defender as verdades que aprendeu de Cristo, ainda que todo o mundo diga o contrário. Em seus olhos, quero ver a pureza de quem sabe que o amor não é sentimento, e que o sexo, uma de suas formas de expressão, é desvirtuado quando dele desvinculado. Quero ver em seu rosto e em seu modo de vestir e falar a sobriedade de quem é pai e pastor. Quero enxergar nele um amigo, um irmão mais velho, que inspira o respeito e a veneração por ser um outro Cristo. Quero saber que ele ama e obedece a Igreja que eu amo e obedeço, mesmo conhecendo as limitações dos homens e mulheres que a compõem. Desejo ouvir de sua boca as palavras do Senhor de que "Deus criou homem e mulher", que "o homem deixará a sua casa e se unirá a sua mulher" e que "quem olha com cobiça a mulher do próximo já pecou". Preciso aprender com ele que a verdade não é relativa, que não dá no mesmo ser cristão ou pagão, e que embora eu possa encontrar Jesus em qualquer lugar, Ele quis confiar seu ensinamento à Igreja que fundou. 
O que eu espero ver em um padre, do século I ou do XXI, é Cristo. Mais do que um colega, um escritor, um professor... posso ter muitos colegas; posso admirar muitos acadêmicos; posso aprender com muitos professores. Mas o que faz um padre ser um padre é configurar-se inteiramente a Cristo. Ainda que eu deva ver Deus em todo irmão, somente no sacerdote poderei encontrar a Cristo dessa forma, porque Ele o quis assim.
Senhor Beto, o senhor não me representa. O senhor não me pastoreia.
Louvo e agradeço a Deus pelos verdadeiros sacerdotes do século XXI, escondidos atrás dos confessionários, missionários nas comunidades distantes, discretos debaixo da negritude das vestes clericais, calados pela mídia que não publica o que contraria o senso comum. Obrigada por me permitirem ver o Cristo.
  

2 comentários:

  1. Belo texto! Dai-nos a graça, Senhor, de sermos verdadeiros sacerdotes do século XXI.

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  2. Um texto de quem sabe o que fala. Parabéns!!!

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