sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sorri

Sorri (versão de Djavan para "Smile", de Charles Chaplin)
Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri, vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor que és feliz.

Essa música, aparentemente tão triste, tem uma valiosa lição: sorrir, mesmo quando nada parece ir bem conosco. À primeira vista pode soar como fingimento tolo, ou fuga da realidade. Mas não é disso que falo. Refiro-me à capacidade de superação que há em todos nós, alimentada pela esperança e pela confiança em Deus. 
Diz o Salmo 55: "Do meu exílio registrastes cada passo, em vosso odre recolhestes cada lágrima, e anotastes tudo isso em vosso livro" (Sl 55,9). Pois bem, Deus conhece as nossas dores. Ele mesmo as sentiu, ao se encarnar e assumir as nossas fraquezas. Mas Jesus, que é todo homem como nós, foi capaz de, no momento de seu sofrimento, abandonar a autocompaixão e olhar para os que a Ele recorriam: as mulheres chorosas de Jerusalém, o ladrão arrependido, Sua Mãe e o discípulo amado. Somos capazes do mesmo? De sorrir em meio à dor e ainda levar consolo aos outros que também sofrem? Basta perceber que a queixa, a lamúria, de nada resolvem. Pelo contrário, nos tornam homens e mulheres cada vez mais tristes e amargos, incapazes de ver as necessidades de outras pessoas ao nosso redor; por sua vez, a esperança nos dá forças para lutar diante das dificuldades. Ela é a característica daqueles que amam a Deus, e buscam, mesmo no sofrimento, viver com alegria e entusiasmo: "Transformastes o meu pranto em uma festa, meus farrapos, em adornos de alegria, para minh'alma vos louvar ao som da harpa e ao invés de se calar, agradecer-vos" (Sl 29,12-13).
Sorrir é dar ao mundo a luz de que precisa, é mostrar que nada falta a um coração que se deixou preencher pelo amor de Cristo. Não sejamos egoístas, descarregando nos outros a nossa lamentação e autopiedade. Não me refiro negativamente à partilha fraterna, que é muito edificante, mas sim ao costume que muitas vezes temos de desfiar nosso "rosário" de lamúrias cada vez que alguém nos pergunta como estamos. Deus sabe do que sentimos e do que precisamos... E, quando a cruz for por demais pesada, abandonar-se nos braços do Bom Deus. É Ele mesmo quem nos oferece abrigo no seu coração, donde podemos recolher o vigor e a esperança: "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas" (Mt 11,28-29). 
Que Maria, que se mostrou a Santa Teresinha como a "Virgem do Sorriso", nos ensine a trazer no rosto o sorriso de filhos que se sabem muito amados, e a contagiar os outros com a luz e a alegria que recebemos de Deus.






2 comentários:

  1. Maravilhoso post, sobre tudo para o meu momento atual. Eu acredito que o sorriso pode mesmo mudar o mundo, não é um "clichê". Deus é AMOR, ELE nos fez SUA imagem e semelhança.
    Mesmo com todas as dificuldades eu paro e penso: Sou abençoada, porque o SENHOR me ama! E mesmo sem perceber abro um sorriso.

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    1. Que bom que se encaixou em algo que você está vivendo! De fato, somos imagem e semelhança do Amor, capazes de refletir Amor, mesmo quando as coisas não vão tão bem. Na verdade... se esperarmos tudo ser perfeito, como nos contos de fadas, para nos dizermos felizes, nunca o seremos. Um abraço!

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