sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Então serás feliz!

É bonito como Jesus sabia aproveitar cada ocasião simples para ensinar algo importante. Acontece que um dia, convidado a uma refeição na casa de um fariseu, usa a oportunidade para falar sobre a lógica da gratuidade que deve mover nossas boas ações (cf. Lc 14,12-14). Ele pede que as façamos exatamente a quem não nos pode retribuir o favor! É bem verdade que costumamos fazer o contrário... Porque é muito mais fácil ser bom com quem é bom conosco, fazer um favor a quem nos agradece, amar a quem nos ama. Difícil é lidar com a ingratidão, o não reconhecimento, a dureza de coração. Disse um sacerdote certa vez: “Fraternidade com quem é amigo é ótimo. Fraternidade com quem nos custa é cristianismo.”
Além disso, pensemos que o não retribuir nem sempre é falta de querer; há pessoas que simplesmente não podem. Afinal, ninguém pode dar aquilo que não tem. Assim como os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, que não têm meios para dar um banquete de agradecimento a quem os convidou primeiro, muitos são os deficientes de amor, os carentes de conhecimento de Deus, os cegos de alma. Não devemos esperar que retribuam nosso amor, mas num esforço heroico, precisamos dar-lhes aquilo que ainda não têm.
E o que ganhamos com isso? Seremos felizes, diz Jesus! Porque teremos um coração que ama livremente, sem esperar angustiado um favor devido, um amor correspondido. E viveremos a esperança de receber a recompensa do Único que pode de fato nos dar tudo, porque possui tudo: o próprio Deus, na eternidade!

4 comentários:

  1. 'Porque teremos um coração que ama livremente, sem esperar angustiado um favor devido, um amor correspondido.'
    É engraçado como, volta e meia, mesmo que doemos sem esperar nada em troca, bate aquele pensamento 'poxa, mas eu fiz aquilo ou aquilo outro'.
    Eu penso que isso é involuntário.
    O ponto é o que vamos fazer a partir dele.

    ResponderExcluir
  2. Verdade, verdade! É difícil fugir a essa necessidade de correspondência, a esse sentimento de querer receber também, não só dar... Mas o que fazemos a partir dele? Guardamos rancor? Cobramos agressivamente? Com relação a algo injusto - por exemplo, numa relação de amizade, ou namoro em que só um tem atitudes de renúncia em favor do outro - tem que ser conversado com sinceridade e com jeito. Mas há situações não tão específicas, em que de fato não podemos esperar receber. Não se trata de nos negar a receber a gratidão, mas de não depender dela, entende? Você particularmente me entenderá, Mario Jorge: "Tudo o que eu faço por vocês, faço por devoção, e vocês não me dão nada..." (soou familiar? rsrsrs) Ora, se faz por devoção, não espera retorno. Fica feliz quando o recebe, mas não faz em vista desse recebimento. Entende? Tem um pensamento de São João da Cruz que a irmã Kelly musicou assim: "Para vir a possuir tudo, não queiras possuir algo em nada. (...) E quando venhas de tudo a ter, hás de tê-lo sem nada querer."

    ResponderExcluir
  3. Bem familiar esta frase!
    Sobre conversar, já vi casos de a conversa ser constante e nada mudar. Será esta a hora de abrir mão e ir embora?
    Enfim, ter este modo de vida, de doar sem esperar, talvez não seja o dos mais fáceis, mas acredito que seja o melhor. Sem esperar e criar expectativas extremas, o que vier será motivo de alegria e surpresa.
    É a ideia de estar distraído!
    'Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
    Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.'

    ResponderExcluir

Ocorreu um erro neste gadget