quinta-feira, 4 de março de 2010

Será que sou ético?


Todos nós temos um profundo desejo de que a nossa sociedade progrida na justiça. Mas, para isso, precisamos de uma grande disposição em rejeitar o que em nós há de errado e buscar ser melhor, pois, sem este desejo, não há educação que nos ensine o caminho correto. Diante de tamanha crise moral, cabe-nos refletir sobre o nosso modo de agir, para sabermos se o que fazemos é realmente justo. Se somos pessoas que contribuem para o verdadeiro progresso da humanidade, que é o desenvolvimento integral do ser humano.
Justiça, segundo a definição clássica, é dar a cada um o que lhe é devido. No entanto, ao olhar o nosso entorno, podemos observar coisas que não temos o direito de possuir. Por exemplo, o consumo de energia elétrica, água, internet ou TV por assinatura é injusto quando tem origem em uma fonte clandestina; é um roubo. Por isso, ao clamar por justiça, também reivindicamos que o gasto desses serviços seja pago por quem os consumiu. Caso contrário, o pagamento será aplicado à empresa fornecedora, que repassará para outros clientes. Deste modo, fazer "gato" não é só injustiça contra a empresa, mas contra toda a população.
A mesma injustiça se dá de forma inversa quando o prefeito de uma cidade ou o presidente de uma dessas empresas aplica em seu favor parte da verba destinada ao benefício do povo. A diferença está na quantidade roubada - que soma um montante maior - e na pessoa afetada, pois este dinheiro é de uma pessoa jurídica e eu é que sou o beneficiado.
Ao realizar isto, prefeitos, presidentes de empresas ou cidadãos tornam-se pessoas corruptas e anti-éticas. É bom compreender bem estes termos. Ser ético é seguir as leis normativas que, baseadas nos costumes dos povos e indicação dos sábios, segunda a reta razão, ensinam a maneira correta de os homens agirem. O corrupto, de outro modo, é aquele que se deixa corromper, como um organismo que depois de morto entra em estado de putrefação ou decomposição. É por isso que ouvimos tantas pessoas falarem estas palavras em associação, mas sem as compreenderem e, consequentemente, não sabem que também agem de maneira anti-ética e corrupta. Ser corrupto é ser humanamente podre.
A corrupção não está restrita aos políticos. É certo que neste meio ela é mais comum, até mesmo nos menores benefícios, como no de um emprego, um atendimento privilegiado nos serviços públicos, vagas em concursos; mas também é corrupto o policial que aceita um suborno para não autuar um criminoso, ou aquele que paga para não ser multado ou para reduzir burocracias. Assim como aqueles que copiam (pirateiam) música, filme, software ou qualquer outro produto sem possuir os direitos autorais, seja pela internet ou por CDs e DVDs; ou então os que copiam livros indevidamente. Todos esses são tão corruptos quanto nossos representantes.
Mas o que poderíamos fazer para que em nossa sociedade haja menos roubo, seja mais justa? A primeira coisa necessária é compromisso com a verdade, pois esta leva à ética. Se queremos uma sociedade melhor, devemos lutar por esses valores primeiramente em nós. Depois, naqueles que nos são próximos ou são formados por nós. Por último, nos mais distantes. Muitas vezes, diante de situações complexas, somos motivados a agir assim. Mas se em nós houver um princípio de verdade, de justiça e de ética, sofreremos as consequências de não nos deixarmos corromper. É necessário esforço. É necessário empenho. Eu acredito em uma sociedade melhor e luto por ela. E você?

Adriano Cézar da Conceição Pinheiro (seminarista da Arquidiocese de Niterói, cursando o terceiro ano de Filosofia; é agente do Centro Arquidiocesano de Orientação Vocacional)

Um comentário:

  1. Eiiii... Tá lindo seu blog. Saudades querida. Bjinhos

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