sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sofrimento, paciência e santidade

"Todos nós padecemos suficientemente para sermos santos, se o soubermos fazer corajosamente e por motivos sobrenaturais." (Ad. Tanquerey)
Novamente, o sofrimento. Mas gostaria de pensá-lo hoje a partir da frase acima, que o autor utiliza para falar sobre a virtude da paciência (cf. Compêndio de Teologia ascética e mística, "Das virtudes morais").
Como já disse antes (aqui), a santidade não é fruto imediato do sofrimento. Ela virá do crescimento que ele proporciona, se bem vivido. Assim sendo, reflito sobre os três elementos da frase de Tanquerey:
a) todos padecemos o bastante para sermos santos - O padecer é parte inalienável da vida humana; em cada Salve Rainha afirmamos que vivemos num "vale de lágrimas". É fato que todos padecemos, pela doença, pela dificuldade financeira, pela perseguição, pela espera, pela decepção... Como exergamos essas situações? Como castigos do Senhor? Como injustiças do Criador (cujos atributos incluem ser infinitamente justo)? Como percebemos as dores que Deus nos permite viver? Tudo começa aí: no olhar que lançamos sobre nossa própria vida, nossa história. O olhar cristão não será pessimista nem artificialmente otimista. Saberá reconhecer a realidade da dor, mas também será capaz de enxergar, além dela, a esperança e a oportunidade de ser santo. Se padecemos o suficientemente para sermos santos é porque o processo de amadurecimento e de conversão passa pelo sofrer. Como o ouro, que é purificado pelo fogo; como o metal que e forjado no calor. "No sofrimento está como que contido um particular
apelo à virtude que o homem por seu turno deve exercitar. É a virtude da perseverança em suportar tudo aquilo que incomoda e faz doer. " (João Paulo II, Salvifici Doloris)
Continua...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Frases...

Não coloques o teu “eu” na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás... Que coisa tão aborrecida! Pareces ter esquecido que “tu” não tens nada, que tudo é dEle. Quando ao longo do dia te sentires – talvez sem razão – humilhado; quando julgares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que em cada instante borbulha o teu “eu”, o teu, o teu, o teu... convece-te de que estás matando o tempo, e de que estás precisando que “matem” o teu egoísmo. (S. Josemaría Escrivá, Forja, 1050)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dizei uma só palavra...


"Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 'Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia'. Jesus respondeu: 'Vou curá-lo'. O oficial disse: 'Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um:'Vai!', e ele vai; e a outro: 'Vem!', e ele vem; e digo a meu escravo: 'Faze isto!', e ele o faz'. Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado..." (Mt 8,5-10)
As palavras de fé ditas pelo oficial romano são repetidas por nós em cada Missa: "Senhor, eu não sou digno... mas dizei uma palavra..." É uma afirmação de nossa fé, a partir do exemplo deste homem. O que me parece mais interessante em tal testemunho de fé é a sua convicção. O oficial não precisa fazer um esforço mental ou espiritual para crer. Parece-lhe tão óbvio que Jesus tenha o poder de curar apenas por sua palavra... É algo tão simples como o poder que ele tem de dar ordens a seus empregados e ser obedecido. E ele era pagão! Mas sabia, reconhecia quem era Jesus: começa o diálogo chamando-o de Senhor.
Enquanto aos discípulos foi necessário um tempo para perceber isso... enquanto lhes era preciso dizer: "Aumenta-nos a fé!" (Lc 17,5)
A importante pergunta de Jesus feita aos apóstolos em outro momento, "e vós, quem dizeis que eu sou?" (Lc 9,20), é respondida pelo oficial com sua declaração de fé. E nós, quem dizemos que Ele é? Compreendemos tão claramente quanto este pagão? A resposta é essencial para que nosso testemunho de fé seja tão convicto quanto o dele.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meu tudo!

Hoje fui comprar xampu. A princípio, não parece haver nada de muito novo nisso... Mas o que me chamou a atenção ao voltar para casa, foi uma frase na embalagem do produto que dizia: "Tudo o que você quer". Lembrei-me então de outras frases análogas: "Tudo o que você precisa está aqui" (propaganda de alguns supermercados) e "Seja tudo o que você quer ser" (essa é da Matel, fabricante da boneca Barbie...). Qualquer semelhança não é mera coincidência!
Não quero demonizar tais frases e nem supervalorizo as mensagens subliminares. Mas uma coisa há que se notar: elas expressam uma cultura atual extremamente materialista, em que o "tudo" das pessoas parece estar resumido em bens, produtos, poderes. Em contrapartida, diria Santa Teresa de Ávila: só Deus basta!
Só Deus basta! Ele é verdadeiramente tudo o que queremos e precisamos. E só estando em comunhão com Ele é que seremos tudo o que realmente devemos querer ser: santos! Não nos deixemos convencer pela cultura do tudo que um dia acaba... Queremos o Tudo que é eterno - Deus. Como Santa Teresa do Menino Jesus, cuja memória recordamos recentemente, "eu escolho tudo". Mas o verdadeiro Tudo...

sábado, 11 de setembro de 2010

Campanha de oração pelo Brasil

Reproduzo, conforme está no blog En Garde

A nossa Terra de Santa Cruz enfrenta um de seus piores momentos. O comunismo galopa como o cavaleiro vermelho do Apocalipse, trazendo consigo os flagelos do aborto, da destruição da família, da perseguição religiosa, do ateísmo programático, do narcotráfico.

Em Pernambuco, a Virgem apareceu em 1936 advertindo que o Brasil passaria por uma sangrenta Revolução que instauraria o comunismo no país e traria sofrimento e dor ao povo brasileiro. Com o sangue dos cristãos nas mãos, a Virgem pediu que rezássemos o Santo Terço, em devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, contra a comunistização do país e em favor da exaltação da Santa Cruz. Pediu penitência e oração.

Esse é o momento de atendermos ao pedido da Virgem!

1000 Ave-Maria's pelo Brasil!

Rezemos o Santo Terço diariamente, até o dia das Eleições, adicionando a início a seguinte petição: "Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!"

Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Maria's, cada um, pelo nosso país!

Comprometamo-nos a rezarmos diariamente o Santo Terço até o fim do pleito, atendendo ao pedido da Virgem, nesta hora difícil que se avizinha.

Caso contrário, com o advento do comunismo, do aborto e da destruição do matrimônio e da família, advirá sobre nós também a Ira de Deus; lembremo-nos que a Virgem disse em La Salette que "a mão do Seu Filho já pesava demais, e já não conseguia segurá-La".

Rezemos, pois!

Replique em seu Blog e listas este apelo, no Brasil e no exterior! Faça chegar o apelo da Virgem a todo o Brasil, pelas diversas mídias católicas: TV's, rádios, Blogs, jornais, revistas... tudo!

A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!

Recorramos à Virgem Santíssima, Porta dos Céus e Refúgio dos Pecadores! Consagremos a nós mesmos e ao Brasil ao Coração Imaculado de Maria!

Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, pois Ela prometeu em Fátima: "No fim, meu Imaculado Coração triunfará!"

Mãe Maria, Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, rogai por nós!

Data de início: 13 de Setembro (a 20 dias da Eleição).

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sejas Tu o meu sabor

Essa frase, trecho de uma música, me fez pensar: qual tem sido o meu sabor? Minhas atitudes em relação às pessoas trazem alegria como o alimento bem temperado, ou se parecem mais com um fruto amargo? É evidente que o que Deus espera de nós é que sejamos "bem temperados". Mas como?
Ora, não é que a resposta está nessa frase tão simp
les! É o próprio Deus que nos dá o sabor de alegria, de amor, de santidade. Na mesmo proporção em que nos aproximamos d'Ele, fonte de todo bem, seremos também nós mais plenos das virtudes e das graças que dão o melhor sabor à nossa vida.
Ao declarar que nós somos o sal da terra, Jesus acrescentou: "Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens." (Mt 5,13) Assim, quem perde Deus, perde tudo, e fica portanto sem todo o seu "sabor". Será amargo... ou insosso.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Frases...

"Deus não falhará em oferecer a Luz para fazer ver e Calor para fazer sentir, ao coração que ama e que deseja ser amado.! (Bento XVI)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Em quem ponho minha cofiança?

Jesus nos convidou a pensar sobre essa questão nos dois últimos domingos através do Evangelho. E percebi que, todo o tempo, somos tentados a colocar nossa confiança em algo ou alguém que não Deus. Por exemplo, no dinheiro ou nos nossos próprios esforços.


Diz o salmo 126: "Se o Senhor não construir a nossa casa, em vão trabalharão seus construtores; se o Senhor não vigiar nossa cidade, em vão vigiarão as sentinelas!" (Sl 126,1) De nada valerão nosso trabalho ou nossas riquezas se nossa confiança não estiver depositada inteiramente no Senhor. Só Ele nunca falha! E, no entanto, muitas são as vezes em que me vejo novamente enredada em inúmeras preocupações, deixando-me tomar pelos temores de alguém que confia nas coisas que podem falhar... Daí ser tão pertinente o conselho do mesmo salmo: "É inútil levantar de madrugada, ou à noite retardar vosso repouso, para ganhar o pão sofrido do trabalho, que a seus amados Deus concede enquanto dormem." (Sl 126,2)


Jesus não nos chama a sermos preguiçosos ou irresponsáveis, não se trata disso. Mas Ele quer que sejamos livres de tantas vãs preocupações; esforçando-nos, mas confiando sobretudo em sua providência. Como Pai, Deus conhece todas as nossas necessidades.

domingo, 1 de agosto de 2010

Frases...

"Não devemos ter complexos de inferioridade ao dar nome às coisas: a caridade é o cume do cristão, é o que de maior existe." (Cardeal Rodríguez Maradiaga)

domingo, 18 de julho de 2010

No princípio...

Fico muito aflita quando chega ao meu conhecimento uma situação em que se tenta relativizar a importância ou a existência de Deus (tais situações tem sido cada vez mais frequentes e banalizadas). Essa semana, não apenas estive ciente, mas participei de uma. Aconteceu - por e-mail!!! - uma votação para decidir se na cerimônia de formatura de minha turma haveria ou não um "discurso ao sagrado". Se o fato de haver uma votação, negando absolutamente que o agradecimento a Deus seria um direito dos formandos que nele cressem, já parecia absurdo... mais triste ainda foi o resultado da enquete.
Amanhã eu celebrarei 4 anos de caminhada na universidade. Anos difíceis por estar longe dos meus pais, passar noites em claro pra estudar, trabalhar duro pra ajudar a custear minhas despesas; e também anos felizes por fazer bons amigos, aprender muito, realizar a grande conquista de hoje ser uma professora de história. Anos em que meu conforto, meu descanso, minhas forças, minha alegria, vieram sobretudo da união com Deus. Momentos em que, sem a Eucaristia, o Rosário e a Palavra de Deus, eu não seria ninguém.
Ainda assim, amanhã, eu não terei a possibilidade de fazer ou ao menos escutar nem um pequeno agradecimento público Àquele que existe desde o princípio, e por Quem tudo foi feito. A gratidão vai ficar na intimidade do meu coração e na Santa Missa pela manhã. E a minha inteligência tenta compreender esta situação transcrevendo as palavras de São João:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus." (Jo 1,1-5.9-13)

Ao Senhor da minha História: gratidão por tudo!

domingo, 4 de julho de 2010

Frases...

"Cristo é o amigo fiel, o vencedor do pecado e da morte. Quem confia n'Ele jamais será defraudado, mas encontrará a força necessária para escolher o caminho justo na vida." (Bento XVI)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Obedecer por quê?

Dos três votos professados pelos consagrados em alguma ordem ou congregação religiosa, aprendi que o mais difícil não é o de castidade ou o de pobreza, senão o de obediência. Pois, enquanto viver o celibato e o desapego dos bens consiste em renunciar a posses ou prazeres, viver a obediência aos superiores é renunciar a si mesmo. Ato de verdadeiro amor!
Mas não só obrigação dos consagrados, a sábia obediência é também virtude recomendável a cada um que deseja seguir o Cristo - aquele que nos chama a "renunciar si mesmo e tomar a sua cruz de cada dia" (cf. Mt 16,24). Obediência que não é simplesmente realizar o que outro manda...


Creio que começa num reconhecimento daqueles que sobre nós tem alguma autoridade: familiar, hierárquica, eclesial. Esta atitude gera então postura respeitosa de acolher com humildade uma ordem ou conselho e sugerir caridosamente outros caminhos ou pontos de vista quando necessário.


Na sociedade que prega a liberdade sob a ótica da total ausência de regras ou deveres, falar de obediência pode parecer cega loucura. Mais que isso: é de fato imitar Jesus, que obedeceu "até a morte, e morte de cruz" (Fl 2,8). E assim conhecer a verdadeira liberdade, que é não ser aprisionado pelas vontades que nos impedem de voar ao encontro de Deus.

domingo, 27 de junho de 2010

Frases...

"O ingrato causa mais repulsa que o criminoso. Pois aquele que comete um crime o faz atentando contra a lei dos homens; o ingrato, no entanto, recusa-se a prestar reverência à lei do coração, à ética." (Robson Oliveira, postado em Non Nise Te!)

sábado, 19 de junho de 2010

Aprender o valor das dores

"Muitos serão limpos, acrisolados e provados. Os ímpios agirão com perversidade, mas nenhum deles compreenderá, enquanto que os sábios compreenderão." (Dn 12,10)
Algumas vezes já falei aqui sobre cruz e sofrimento. Parece-me que este assunto nunca se esgota! De fato, requer de nós um amadurecimento verdadeiro para compreender que as dores fazem parte da vida, e que mais do que ser feliz apesar delas, devemos ser felizes com elas! Partilhava esta semana com um amigo que aquele que espera passarem as dificuldades para ser feliz, nunca alcançará a felicidade; pois as dificuldades sempre existirão, e é com coragem que Deus espera que as vivamos.

Disse sabiamente Jó: se aceitamos de Deus as alegrias, por que não aceitaremos também dele as tristezas? Deus deu, Deus tirou; bendito seja sempre o nome do Senhor.

Aprendamos de Cristo o valor das dores - físicas, psíquicas ou espirituais. O crescimento não está em passar pela dor, mas em como passamos por ela. Recentemente aprendi o erro presente na antiga frase "quem não vai a Deus pelo amor, vai acabar indo pela dor". Onde está o erro? Está em que ou vamos a Deus por amor, ou vamos a Deus por amor! Se minha dor não me levar a ser melhor, não me santificar, ela é vã! O Senhor a permite para que dela eu colha frutos de paciência, humildade, confiança... é assim que o sofrimento nos ensina.

Todos nós experimentaremos em nossa vida a provação, a solidão e a dor. Mas somente com a sabedoria de Deus seremos capazes de compreendê-las.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando nos caluniarem

"Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." (Mt 5,11s)
Acabo de ler um e-mail sobre a indignação causada por determinada pergunta que tiveram que responder os candidatos de um concurso na área da saúde no Rio. A resposta correta à pergunta, segundo o gabarito, associava a Igreja à vulnerabilidade a doenças sexualmente transmissíveis.
Sabemos que este ato não é isolado. Embora desde o princípio os cristãos tenham sofrido algum tipo de perseguição (seja explícito ou velado), parece que recentemente uma onda anticatólica tem varrido a mídia, as autoridades e até a cultura. Qualquer pequena faísca é motivo para desencadear um incêndio de críticas e ataques à Igreja, isso quando esta não é vítima de calúnias ou das consequências funestas de informações dadas pela metade.
Jesus já o profetizou: aquele que quer segui-lo, deve carregar a cruz com Ele. Viver a bem-aventurança de com o Senhor ser caluniado, cuspido e crucificado. Parece forte, mas é verdade!
Nossos primeiros irmãos morreram queimados, torturados ou devorados por feras. Outros bravamente lutaram para manter firme a Igreja em tempos de desvirtuamento de seus pastores. E Ele espera que, como estes santos que permaneceram fiéis até o fim, quando o mal se lançava contra a Igreja - de fora ou de dentro -, nós também sejamos fiéis.
No Evangelho de São Mateus, Jesus continua o discurso das bem-aventuranças dizendo que precisamos ser "sal da terra" e "luz do mundo" (cf. Mt 5, 13s). No momento da perseguição e das injúrias é que devemos ser aqueles que brilham na escuridão do mundo tomado pelo pecado, e que dão a ele o sabor perdido do amor de Deus. Sejamos os novos santos que o Senhor espera.

(para ler sobre a pergunta no concurso, ver:http://http//www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1006704&tit=Catolicos-reclamam-de-preconceito-em-concurso)

terça-feira, 4 de maio de 2010

"(...) Que quer dizer 'cativar'?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa 'criar laços'. (...) A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos." (O Pequeno Príncipe)

Cativar, criar laços, ter amigos: eis coisas tão esquecidas e tão importantes! Talvez por ser um exercício que, além de tempo, exige aprendizado, amadurecimento. Primeiramente, aprender a amar, para então receber amor; preocupar-se com o outro, lembrar-se. Então, deixar-se conhecer, e buscar conhecer o outro.


Será preciso também dar espaço: não ser egoísta, e compreender que tempo e certa distância podem ser salutares.


Aos poucos, percebemos que amigos são diferentes; possuem características e opiniões que não são as nossas. Mas crescemos com tais diferenças (mesmo que às vezes se brigue um pouco). Aprendemos a superar nossas próprias limitações e ajudamos o outro a vencer as suas.


A amizade ganha sentido mais pleno quando conduz a Deus, e isso só é possível quando ela tem no mandamento de Jesus seu princípio: "Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros." (Jo 13,34) Imitar o amor do Senhor por nós... como é difícil! Mas é esse, creio, o modo mais perfeito de cativar: olhar com os olhos de Jesus, e perceber a riqueza que existe no outro; doar-se, sem esperar resposta. Dessa forma seremos verdadeiros amigos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Na fragilidade da vida humana


"Ao invocar-me, hei de ouvi-lo e atendê-lo, e ao seu lado eu estarei em suas dores." (Sl 90,15)

Temos presenciado esta semana cenas de sofrimento, perdas e mortes causados pelas chuvas no estado do Rio de Janeiro. Ao contemplar tais acontecimentos, muitos se perguntarão: "Por que Deus permitiu tais coisas?" ou "Se Deus existe, porque existe também o sofrimento?" Responderá a isso Santo Agostinho: Deus, sumamente bom, de nenhum modo permitiria existir algum mal nas suas obras, se não fosse onipotente e bom para, mesmo do mal, tirar o bem. Logo, pertence à infinita bondade de Deus permitir o mal para desse fazer jorrar o bem. (Enquirídio, cap. XI)

Deus não nos abandona, mas permite a dor como parte de nossa liberdade de filhos. Quer, contudo, que façamos brotar dela o bem, descobrindo sentimentos como a compaixão, a generosidade, a gratidão. Quer despertar em nós, nos momentos de dor, o desejo de ir ao encontro do irmão que sofre.

Acima de tudo, Jesus compreende nossas dores; Ele mesmo foi homem "experimentado na dor" (Is 53,3). Cristo sofre na fragilidade da vida humana, e espera de nós a atitude de um coração solidário que possa confortá-lo na pessoa do próximo. Daí pode fazer germinar o bem onde parece só haver tristeza.



A Arquidiocese de Nirerói informa os locais para o recebimento de doações para as vítimas da chuva da população de niterói:

Paróquia de São Lourenço: Praça Dom Agostinho Benassi, s/n, Niterói - RJ. CEP 24120-130

Telefone: (21) 2621-5742 e (21) 2722-0513

Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora: Rua Santa Rosa, 207, Niterói - RJ. CEP 24240-255

Telefone: (21) 2715-3350 e fax (21) 2714-2705

terça-feira, 30 de março de 2010

Nossa alma tem sede de Deus


Nosso corpo tem sede porque necessita da água para sobreviver. Sem ela, nossa força física simplesmente se esvai, porque ela é um constituinte vital de nossa matéria. Assim também nossa alma tem sede de Deus, porque sem Ele, não pode existir. É por isso que o salmista clama:
"Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh'alma por vós, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo." (Sl 41,2s)
Não buscar o Senhor é estar indiferente a essa sede, é fazer sofrer nossa própira alma, negando-lhe o Único que pode saciá-la completamente. Vivamos esta Semana Santa como oportunidade para buscarmos verdadeiramente o Senhor. Peçamos que o seu amor, manifesto de forma inigualável na cruz, preencha nossa alma e nosso coração.
Se temos grande sede de Deus, Jesus também tem sede de almas, tem sede de amor.
Que seu coração, de onde jorraram sangue e água, nos atraia para junto de Si "como um abismo atrai outro abismo ao fragor das cascatas" (Sl 41,8). Como o ferro, ao unir-se ao fogo, funde-se e os dois não são mais que um só, possa nossa alma unir-se ao Senhor, e não sejamos mais que um só coração abrasado de amor.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Será que sou ético?


Todos nós temos um profundo desejo de que a nossa sociedade progrida na justiça. Mas, para isso, precisamos de uma grande disposição em rejeitar o que em nós há de errado e buscar ser melhor, pois, sem este desejo, não há educação que nos ensine o caminho correto. Diante de tamanha crise moral, cabe-nos refletir sobre o nosso modo de agir, para sabermos se o que fazemos é realmente justo. Se somos pessoas que contribuem para o verdadeiro progresso da humanidade, que é o desenvolvimento integral do ser humano.
Justiça, segundo a definição clássica, é dar a cada um o que lhe é devido. No entanto, ao olhar o nosso entorno, podemos observar coisas que não temos o direito de possuir. Por exemplo, o consumo de energia elétrica, água, internet ou TV por assinatura é injusto quando tem origem em uma fonte clandestina; é um roubo. Por isso, ao clamar por justiça, também reivindicamos que o gasto desses serviços seja pago por quem os consumiu. Caso contrário, o pagamento será aplicado à empresa fornecedora, que repassará para outros clientes. Deste modo, fazer "gato" não é só injustiça contra a empresa, mas contra toda a população.
A mesma injustiça se dá de forma inversa quando o prefeito de uma cidade ou o presidente de uma dessas empresas aplica em seu favor parte da verba destinada ao benefício do povo. A diferença está na quantidade roubada - que soma um montante maior - e na pessoa afetada, pois este dinheiro é de uma pessoa jurídica e eu é que sou o beneficiado.
Ao realizar isto, prefeitos, presidentes de empresas ou cidadãos tornam-se pessoas corruptas e anti-éticas. É bom compreender bem estes termos. Ser ético é seguir as leis normativas que, baseadas nos costumes dos povos e indicação dos sábios, segunda a reta razão, ensinam a maneira correta de os homens agirem. O corrupto, de outro modo, é aquele que se deixa corromper, como um organismo que depois de morto entra em estado de putrefação ou decomposição. É por isso que ouvimos tantas pessoas falarem estas palavras em associação, mas sem as compreenderem e, consequentemente, não sabem que também agem de maneira anti-ética e corrupta. Ser corrupto é ser humanamente podre.
A corrupção não está restrita aos políticos. É certo que neste meio ela é mais comum, até mesmo nos menores benefícios, como no de um emprego, um atendimento privilegiado nos serviços públicos, vagas em concursos; mas também é corrupto o policial que aceita um suborno para não autuar um criminoso, ou aquele que paga para não ser multado ou para reduzir burocracias. Assim como aqueles que copiam (pirateiam) música, filme, software ou qualquer outro produto sem possuir os direitos autorais, seja pela internet ou por CDs e DVDs; ou então os que copiam livros indevidamente. Todos esses são tão corruptos quanto nossos representantes.
Mas o que poderíamos fazer para que em nossa sociedade haja menos roubo, seja mais justa? A primeira coisa necessária é compromisso com a verdade, pois esta leva à ética. Se queremos uma sociedade melhor, devemos lutar por esses valores primeiramente em nós. Depois, naqueles que nos são próximos ou são formados por nós. Por último, nos mais distantes. Muitas vezes, diante de situações complexas, somos motivados a agir assim. Mas se em nós houver um princípio de verdade, de justiça e de ética, sofreremos as consequências de não nos deixarmos corromper. É necessário esforço. É necessário empenho. Eu acredito em uma sociedade melhor e luto por ela. E você?

Adriano Cézar da Conceição Pinheiro (seminarista da Arquidiocese de Niterói, cursando o terceiro ano de Filosofia; é agente do Centro Arquidiocesano de Orientação Vocacional)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O coração, o fel e o fígado

"Entretanto, Tobias interrogou o anjo: 'Azarias, meu irmão, peço-te que me digas qual é a virtude curativa dessas partes do peixe que me mandaste guardar'." (Tb 6,7)
Muitas vezes, nos deparamos com situações em nossas vidas cujo sentido não compreendemos; perguntamo-nos por que Deus dispôs as coisas daquela forma. Assim como Tobias, a princípio, não via nenhuma utilidade em guardar para si o coração, o fel e o fígado do peixe que sobre ele se atirara no rio. Mas, obedecendo ao anjo, pôde depois constatar que esses elementos eram "presentes" da providência divina, que o ajudaram a curar seu pai da cegueira e a casar-se com Sara.
Ora, tenhamos o mesmo olhar de fé e confiança com relação às coisas que se apresentam diante de nós diariamente: elas podem ser agradáveis como a carne do peixe que Tobias assou para comer; ou amargas como o fel que serviu de remédio a seu pai. Não importa - o Senhor sabe como delas dispor!
Filhos e filhas muito amados, sabemos que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sacerdotes para a eternidade


"O sacerdócio leva a servir a Deus num estado que, em si mesmo, não é melhor nem pior do que os outros; é diferente. Mas a vocação de sacerdote aparece revestida duma dignidade e duma grandeza que nada na terra supera". (São Josemaría Escrivá, Sacerdote para a eternidade)
A Igreja tem nos convocado a refletir sobre a importância de que fiéis leigos e padres orem pela santificação dos nossos sacerdotes. Por isso, instituiu o ano sacerdotal, como apelo a que cresça em nós a consciência da dignidade desta vocação. Como as outras vocações, o sacerdócio é chamado de Deus em primeiro lugar, mas também depende da oração, do amor, do sacrifício e do empenho daquele que é chamado; não basta querer ser sacerdote: é preciso querer ser santo.
E a nós, cristãos, é necessário reconhecer igualmente a grandeza de que se reveste a vocação sacerdotal. É por amor que Cristo se faz presente em homens tão limitados, para por meio deles pregar, batizar, absolver dos pecados e, sobretudo, dar-se a nós como alimento na Eucaristia. Essa consciência nos deve gerar uma atitude de respeito pelos sacerdotes, de gratidão, mas principalmente de oração. "Não deixeis de pedir, por eles, para que sejam sempre sacerdotes fiéis, piedosos, doutos, entregues, alegres! Encomendai-os especialmente a Santa Maria, que torna ainda mais generosa a sua solicitude de Mãe com aqueles que se empenham, para toda a vida, em servir de perto o seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, Sacerdote Eterno". (Idem)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Preciosas promessas


"Cristo, por seu divino poder, nos deu tudo o que contribui para a vida e para a piedade, mediante o conhecimento daquele que, pela sua própria glória e virtude, nos chamou. Por meio de tudo isso nos foram dadas as preciosas promessas, as maiores que há..." (2Pd 1, 3-4)
Esta semana, ao ler este trecho, comecei a refletir sobre a forma como Deus a todo o tempo nos presenteia com preciosas promessas. Como Ele nos cumula de esperança e de consolação através de sua Palavra e das manifestações de sua providência! Embora seja Senhor de todas as coisas e não precise provar sua fidelidade, Ele sempre renova conosco sua aliança de amor, prometendo não nos abandonar: "Então tua luz surgirá como a aurora, e tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se; tua justiça caminhará diante de ti, e a glória do Senhor seguirá na tua retaguarda. Então às tuas invocações, o Senhor responderá, e a teus gritos dirá: Eis-me aqui!" (Is 58, 8-9)
Mas centro minha atenção sobretudo nas promessas eternas, aquelas que Deus nos faz para a vida verdadeira no Céu: "Não haverá mais noite: não se precisará mais da luz da lâmpada, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus vai brilhar sobre eles e eles reinarão por toda a eternidade." (Ap 22, 5) Dessa promessa também somos todos participantes, como filhos e herdeiros de Deus. Mas só as possuiremos, como o tesouro que são, se caminharmos na via que o Senhor nos indica: os seus mandamentos. A posse de suas promessas implica compromisso com seu amor.
Como Maria, felizes somos se acreditamos nas promessas do Senhor e perseveramos para alcançá-las. Jesus, eu confio! Dai-me o auxílio da tua graça!
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