sábado, 19 de dezembro de 2009

'Quem vos fez assim tão pequeno?'

Santa Teresinha perguntou assim ao Menino Jesus, vendo-o tão frágil na manjedoura. E Ele respondeu em seu coração: 'Foi o amor!'
Tão imenso amor que fez o Senhor querer nascer em Belém, a menor das cidades de Judá; tão imenso amor que O fez tornar-se criança e querer ser acolhido nos braços de Maria e José. O mesmo amor tão grande pelo qual Ele se faz pequena hóstia na Santa Missa.
Por seu Natal, Jesus nos ensina a também nos fazermos pequenos, a reconhecer que nada valem as grandezas que tantas vezes buscamos, por mais justas que pareçam. Pois "é na humildade que a graça de Deus se manifesta". É só no coração humilde como a manjedoura de Belém que Jesus pode verdadeiramente habitar. E essa pequenez da alma se manifesta concretamente em buscar o último lugar, em reconhecer nossa miséria diante do Senhor, em não desejar honras nem méritos - confesso que é uma luta a se travar...
Diria ainda Santa Teresinha: 'Me alegro por ser assim tão pequena. Pois, quando caio, Jesus pode me tomar pela mão!'

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nós nos gloriamos na cruz 2


Há alguns dias, meditávamos no Centro Vocacional sobre o sentido cristão do sofrimento humano. Em meio a tantos anúncios de "Pare de sofrer!", nos perguntamos: por que fugir do sofrimento, se ele faz parte da existência humana no mundo, e se o próprio Cristo o recebeu com amor? Muitos querem subir com Jesus ao Tabor, mas poucos o querem acompanhar ao Getsêmani...

Diz um canto da sexta-feira da Paixão: O Cristo obedeceu até a morte. Humilhou-se e obedeceu o bom Jesus. Humilhou-se e obedeceu, sereno e forte. Humilhou-se e obedeceu até a cruz. Por sua vez, diz Santa Teresinha: "A minha pobre vida é sofrer e pronto!" Como ela mesmo explica, não se trata de buscar o sofrimento, mas de recebê-lo com a mesma gratidão com que recebemos de Deus as alegrias e as consolações. Trata-se de conhecer o aprendizado e o crescimento que se pode extrair da cruz, e completar em nossa carne aquilo que faltou à paixão do Senhor. Oferecer a Deus nossa paciência, nossa dor.

Do coração que sofre devem brotar os frutos amadurecidos de santidade e amor. Pois compreendemos que não há ressurreição sem morte; não há glória sem cruz.

sábado, 10 de outubro de 2009

Tua vontade e a minha: uma só


Dizer "seja feita a tua vontade, Senhor" não significa conformismo: significa conformidade, assumir para mim esta vontade de Deus, como Maria assumiu seu plano de salvação. Isto é, submeter meus planos aos do Altíssimo, de forma que minha vontade e a dele sejam uma só. Renunciar ao egoísmo para abraçar metas muito maiores, traçadas pelo Senhor.
A Bíblia diz que Davi era um homem conforme o coração de Deus (I Sm 13,14). Assim quero que o meu coração e o de Deus sejam um só, e a sua vontade e a minha também.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Eu escolho tudo!


"A santidade não consiste nesta ou naquela prática; a santidade consiste numa disponibilidade do coração que nos torna humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes de nossa fraqueza e confiantes até a audácia em sua bondade de Pai".
Santa Teresinha encontrou o caminho adequado às pequenas almas que compreendem não serem capazes de subir a "rude escada da perfeição": a infância espiritual. A coragem audaciosa de lançar-se nos braços do Senhor com confiança filial, de escolher e abraçar tudo o que Ele desejar. O humilhar-se totalmente e deixar-se inflamar pelo amor de Jesus.
"Como sou feliz de me ver imperfeita, e ter tanta necessidade de Deus!"
A florzinha do Carmelo aprendeu que era apenas um "passarinho nas mãos do Senhor", mas que tinha "olhos e coração de águia", capazes de vislumbrar o céu e alçar alto vôo. Quem tem um coração de criança, sabe que nada possui, mas que por isso mesmo receberá tudo do Bom Deus. E quem tudo recebe, também inteiro se doa. "Não quero ser santa pela metade: eu escolho tudo!"

terça-feira, 15 de setembro de 2009

E Deus estava na brisa...


O profeta Elias esperava para ver o Senhor passar. Houve um "vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu; mas o Senhor não estava no tremor de terra. Passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira." (IRs 19, 11s) Assim como Elias, precisamos aprender que Deus nem sempre está nas manifestações assombrosas: Ele pode estar no silêncio. Mais do que isso, não é preciso "sentir Deus" para crer que Ele ali está. Ora, quantos abandonam a fé porque esperam um Deus que esteja apenas nas fortes emoções... Pois foram justamente os grandes santos que passaram por momentos de aridez e noite, em que não podiam sentir a presença do Senhor. O que os sustentava era a fé, uma fé madura e não-palpável, que vai além de emoções momentâneas, de grandes enlevos espirituais. Que aprendamos a também encontrar Deus na brisa e no silêncio do coração.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Amar na diferença

Amor é muito mais que um sentimento de afinidade. Na verdade, creio que o verdadeiro amor ágape se manifesta na ausência de afinidade, pois é fácil gostar de quem é semelhante. Esforço fazemos quando amamos quem é diferente, e por isso amar é uma decisão.
Louvo a Deus pelos grandes amigos que tem muito pouco em comum comigo. São as diferenças que nos ensinam a amar, percebendo que somos capazes de somar nas vidas uns dos outros. Amamos quando transformamos o conflito em diálogo, as divergências em compreensão, as fraquezas em cooperação.

domingo, 28 de junho de 2009

"Nisto consiste o amor:

...não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados." (I Jo 4, 10)
Somos muitas vezes tentados a pensar o amor a Deus como atitude louvável de nossa parte. Vemo-nos assim no direito de reclamar quando as coisas não acontecem como queríamos, e de nos queixar de que nada recebemos em troca de nosso bem agir.
Esquecemos que amá-lo é o mínimo que podemos fazer, diante do amor muito maior que Ele tem por nós; ignoramos que esse seu amor não é medido pelas recompensas que possamos receber nessa vida, mas pelo sacrifício que o próprio Deus ofereceu por nossa salvação. Aquele que é a plenitude da perfeição decidiu se fazer homem, assumir nossas fraquezas, por amor. Diante disso, que mais podemos querer? Com o que havemos de nos preocupar?
Nisso consiste o verdadeiro amor: em que Deus tenha assumido nossa carne e se entregado à morte por nós. Que nossa humilde resposta seja amá-lo e confiar inteiramente nele.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Sim, se é sim


Em nossa vida, muitas vezes há momentos em que somos obrigados a fazer escolhas, das mais simples às mais sérias. Seja como for, escolher é um aprendizado, pois implica sabedoria e maturidade. São nossas escolhas que determinam quem somos, e que caminho traçamos.

Se nos deixamos formar por essas situações, aprendemos a ser firmes em nossas decisões. Diante de tantas possibilidades, não se pode ficar "em cima do muro" todo o tempo.


"Dizei somente: 'Sim', se é sim; 'não', se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno." (Mt 5, 37)


Tal aprendizagem passa também por aceitarmos a condição da renúncia, inerente a qualquer decisão desse tipo. Escolher uma coisa é abrir mão de outra, e aí estão as lições que a vida nos dá. Cresçamos com elas, e peçamos a Deus a sabedoria de escolher a melhor parte, aquilo que condiz com os planos dele para nós.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

A liberdade está em Deus

Vivemos hoje uma realidade em que qualquer tipo de compromisso é tido como prisão, particularmente o compromisso com Deus. A fim de declarar a sua liberdade e autossuficiência, o ser humano se volta contra as doutrinas religiosas. Ele não percebe que, quando faz isso, se deixa na verdade aprisionar pelo dinheiro, pelo cientificismo e por seu próprio orgulho. Não que haja mal na ciência ou nas coisas materiais; o mal está em torná-las nossa razão de viver. " Na verdade, como poderia ser considerado um uso autêntico da liberdade, a recusa de se abrir àquilo que permite a realização de si mesmo?" (João Paulo II. Carta enc. Fides et Ratio, 13)
Ao contrário, quando permitimos que seja Deus a nossa causa final, descobrimos que fazer a sua vontade não nos limita, mas é o que de fato nos pode conduzir à vida e a liberdade plena. "Conhecereis a verdade e a verdade vos livrará." (Jo 8, 32)

A verdade de Deus nos liberta na medida em que nos mostra que não dependemos de nada além dele para sermos felizes. E assim aprendemos a usufruir dos bens dessa vida, reconhecendo que são efêmeros e não podem nos aprisionar. Isso é liberdade.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Ele é o Sol. Eu, só o reflexo.


Muitos mestres deixaram ensinamentos, escritos, testemunhos. Mas o verdadeiro Mestre deixou a si mesmo, doou-se completamente no mistério da Eucaristia. Jesus, o próprio Deus, sendo infinito fez-se tão pequeno, fez-se hóstia, oblação. E é tão grande e sublime esse dom que não se pode descrevê-lo sem ficar aquém do que ele realmente é.


"A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação" (João Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia, 11).


Jesus Eucarístico é o Sol da Igreja; e nós devemos ser o reflexo. Ser simples como Deus é simples, fazer da nossa vida dom que se consome, como a hóstia é consumida e se torna um com quem comunga. Amar e adorar o Senhor que a nós se dá inteiramente e reparar o coração de Cristo pelas ofensas feitas ao Santíssimo Sacramento, pelos que não creem e até pelos cristãos.
Que o zelo por Jesus na Eucaristia nos ensine a ser reflexo do seu amor.

domingo, 26 de abril de 2009

"Conhece-te a ti mesmo"


Essa recomendação estava esculpida na entrada do templo de Delfos, na antiga Grécia. Porém, é muito válida no mundo atual, em que as pessoas estão perdendo a capacidade de se questionarem sobre as coisas fundamentais de sua exitência. Será que conhecemos a nós mesmos? Essa pode ser uma viagem interior dolorosa, mas extremamente necessária. E o fato é que só à luz do Espírito Santo somos capazes de empreendê-la. Quem se conhece por inteiro pode doar-se verdadeiramente aos outros, pode ser melhor para si, para Deus e para o mundo.

O homem perde-se na busca de tantas ciências e esquece de conhecer a si mesmo. Esquece de fazer as perguntas mais necessárias, prendendo-se àquelas que são menos importantes. E assim torna sua vida vazia e sem sentido. Deixemos que Deus nos ensine a nos descobrir em nossa essência: nossas fraquezas, nossas vitudes, nossos sentimentos, pra que possamos dar direção certa ao nosso existir.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

É hora de voar


Para subir mais alto, um balonista vai liberando os pesinhos que tem dentro do balão. Assim, ele fica mais leve, e pode alcançar maior altitude.

Assim também nós, se guardamos pesos - mágoas, medos, sentimentos ruins - ficamos grudados ao chão. Deus nos fez livres, para que possamos voar alto, estar acima dos problemas e das nossas próprias limitações. Só podemos concretizar isso liberando nossos pesinhos: praticando o perdão; aceitando nossas incapacidades, mas tendo coragem para melhorar; vencendo o medo. Dessa forma nos desprendemos do solo e nos tornamos verdadeiramente livres, voando cada vez mais alto em direção ao céu.

"Amanheceu... é hora de voar!"

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Nós nos gloriamos na cruz


Perguntei essa semana a meus catequizandos: ter o crucifixo no centro da igreja significa que não sabemos que Jesus está vivo? A resposta deles foi adoravelmente óbvia e convicta: "Não!" Celebrar a Páscoa é vivê-la, sabendo que a vitória de Cristo sobre o pecado começa em sua morte na cruz; não existe ressurreição sem sacrifício. É por isso que pregamos o Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, cientes que que no Cordeiro imolado fomos salvos. E no mistério pascal, com Ele também morremos para o mundo, pois sabemos que um catolicismo - ou qualquer cristianismo - feito de facilidades não é verdadeiro. Nos nos gloriamos na cruz, pois ela é o sinal do amor imenso de Deus por nós. E nos gloriamos na ressurreição, pois ela é sinal de que à morte sucede a plena vida n'Ele, e é essa que buscamos verdadeiramente.
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